Crise? Que crise?




Outro dia estava revendo minha velha coleção de LPs e CDs, hoje convenientemente digitalizada e armazenada em um aparelho que cabe no bolso da camisa, quando me deparei com a atualíssima capa do álbum “Crisis? What Crisis?”, do Supertramp, lançado em 1975. A imagem mostra um mundo totalmente poluído e destruído, mas, em destaque, um sujeito que, sentado em uma cadeira de praia debaixo um guarda-sol, fita o horizonte como se estivesse em um dos mais belos resorts do Caribe, ignorando a crise à sua volta. Recentemente, vimos nos noticiários nacionais e internacionais pessoas influentes exatamente com essa postura e, no caminho contrário, atitudes alarmistas de outros renomados líderes políticos e figurões da economia mundial.


Saber quem está certo é difícil, já que os efeitos dessa turbulência financeira global doem de formas diferentes nos calos e bolsos de cada um. Em minha opinião, não devemos ignorar os efeitos da crise e deixar de tomar medidas preventivas, mas o erro mais grave é, sem dúvida, trazermos a crise para dentro de nossas casas, e pior: para dentro de nossas empresas, cortando – só por precaução – muitos investimentos necessários.


Mas, afinal, o que isso tem a ver com o tema desta coluna? Tudo! Agora é a hora em que devemos olhar com mais carinho para as pessoas que trabalham conosco. Prepará-las para que sejam eficientes e produtivas, ajudando a empresa a superar as dificuldades e, ao mesmo tempo, sedimentando o caminho para quando o céu estiver mais azul. Devemos deixar claro aquilo que se espera de cada um, e dar a oportunidade e os recursos para que essas expectativas tornem-se realidade. Talvez tenhamos de adiar contratações, postergar promoções, mas não podemos nunca deixar de reconhecer e dizer sempre a verdade, tomando decisões planejadas e baseadas em informações. E, se for necessário demitir, que tenhamos informações para realizar as escolhas de forma técnica e imparcial. E neste momento de fazer mais com menos, ou com os mesmos, quanto mais bem estruturados e preparados estivermos, melhor.


Motivar as pessoas para que não percam o pique e se desenvolvam em momentos de incerteza é uma arte. E quem disse que desenvolver talentos também não é?

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