Da Responsabilidade ao Poder

A relação entre poder e responsabilidade é bastante natural e direta. Todos sabemos que ao poder dado ou adquirido há uma carga de responsabilidade associada, e quanto maior o poder, maior deverá ser a responsabilidade. Até aí, nenhuma novidade.

Mas, ao caminharmos no sentido inverso dessa relação, chegamos a um dos grandes desafios organizacionais da atualidade: a responsabilização sem a devida “empoderação” ou, em outras palavras, a exigência de um determinado nível de responsabilidade sem a devida contrapartida em poder para executar as tarefas atribuídas. Além de gerar problemas organizacionais, que atravancam o andamento dos fluxos de trabalho e adiam a tomada de decisões, a falta de poder compatível com as responsabilidades é também uma das causas de stress profissional em nível gerencial, uma vez que o executivo não terá condições, por mais que se esforce, de dar as respostas adequadas às demandas de trabalho.

Ao agregarmos a falta de poder a outros fatores estressantes mais “populares”, tais como metas impossíveis, falta de objetivos, ambiente de trabalho inadequado, comunicação deficiente, intolerância a erros etc., está criado um caldo extremamente venenoso para a produtividade, a motivação e a saúde dos colaboradores.

A raiz desse desequilíbrio entre responsabilização e ”empoderamento” está na dificuldade de delegar, ou melhor, na delegação malfeita. Sim, porque delegar não é só “passar as tarefas” para outros e depois cobrá-los pela execução. Um processo saudável de delegação envolve transmitir as tarefas e suas responsabilidades associadas e o cuidado para que o poder de acionar e gerenciar os recursos necessários ao cumprimento dessas tarefas seja transmitido. Além disso, especial atenção deve ser dada à comunicação dentro da organização: as pessoas envolvidas precisam saber quem é responsável pelo quê, para que se garantam os meios de ação dos “empoderados”.

O equilíbrio entre responsabilidade e poder é crítico para que as metas organizacionais sejam adequadamente disseminadas e atingidas por meio de equipes empreendedoras e autônomas, especialmente em momentos como os que estamos vivendo, em que a agilidade e a eficiência são fatores fundamentais para a competitividade da organização.

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