Criatividade: Sobre Ovelhas e Lobos




Para sermos criativos, precisamos começar ignorando todo mundo. Quanto mais criativa e original for uma ideia, menos as pessoas poderão contribuir efetivamente com ela. Por mais que você se esforce em explicar a ideia, mesmo seus amigos mais íntimos terão dificuldade em entendê-la e, além disso, grandes ideias mudam as pessoas, e seus amigos usualmente não querem que você mude. Com colegas de trabalho a coisa pode ser ainda pior: primeiro porque eles não conhecem nem um milionésimo de suas ideias e segundo, porque eles estão acostumados a lidar com você de uma certa maneira e não querem que nada mude isso. Grandes ideias mudam os relacionamentos, isto é, mudam a relação de poder dos relacionamentos, e é da natureza humana manter as relações de poder estáveis.


Pode parecer uma estupidez, mas na maioria das vezes é melhor guardar as suas ideias para você e trabalhar duramente e soberanamente nelas até que um movimento se inicie e cresça como uma bola de neve. Daí não será mais necessário explicar a sua ideia para ninguém.


Esse é um resumo das primeiras lições de Hugh MacLeod em seu livro Ignore everybody and 39 other keys to creativity, publicado em junho de 2009 e ainda sem edição no Brasil.


A decisão de ignorarmos todo mundo e trabalharmos duramente para levarmos nossas ideias para frente ou ficarmos anônimos na multidão é uma escolha que não pode ser tomada sem muita reflexão e consciência das consequências. Segundo MacLeod, “O preço de ser uma ovelha é o tédio. O preço de ser um lobo é a solidão. Escolha um ou outro com muito cuidado”.


Quando temos uma ideia, não sabemos se ela será boa ou ruim, só podemos contar com o nosso próprio sentimento de que desta vez temos um sucesso nas mãos. E MacLeod afirma que, para obtermos sucesso, precisamos mais do que criatividade, talento e potencial. É uma questão de esforço, tempo e resiliência, tanto que certamente uma empresa que tem mais sucesso que a sua no mesmo ramo de atividade provavelmente investiu mais tempo, mais esforço (horas-homem) e tomou mais tombos que a sua. Faz todo o sentido, principalmente em um ambiente de negócios sem favoritismos.


Embora o principal mote de MacLeod seja ignorar todo mundo, a certa altura do livro ele explica que algum feedback, na hora certa, é importante. Obviamente não devemos nem podemos nos isolar e guardar tudo o que pensamos, e sim temos de ser mais seletivos ao apresentarmos nossas ideias, sob pena de levarmos um balde de água fria e nunca descobrirmos se tivemos uma boa ideia ou não. Aliás, MacLeod define bem essas pessoas que acabam com as boas ideias, e as chama de “watercooler gang”. Quantos baldes de água fria serão necessários para transformar alguém criativo em mais uma ovelha? Ou forçá-lo a se isolar e virar um lobo? Uma boa ideia é mais facilmente aceita por outra pessoa criativa, que não tem tantas amarras mentais e permite que os pensamentos voem de vez em quando.


Lobos ou ovelhas, temos de lidar com todos no mundo corporativo, e é certo que pessoas criativas nem sempre se atraem naturalmente, por isso nas empresas precisamos achá-las e colocá-las para trabalhar juntas. Daí as ideias começarão a florescer.

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